Fazendo um LLM do Zero — Sessão 08: O Fim do Começo (Por que agora tudo faz sentido?) 🚀🧠

Fazendo um LLM do Zero — Sessão 08: O Fim do Começo (Por que agora tudo faz sentido?) 🚀🧠
Chegando ao fim dessa jornada. Mas, paradoxalmente, este é apenas o começo da sua verdadeira jornada com Inteligência Artificial.

A Sessão 08 é diferente. Ela não está no sumário do livro de Sebastian Raschka. Ela não vai te ensinar uma nova função do PyTorch nem introduzir uma arquitetura revolucionária. Esta sessão é o que eu chamo de “O Momento Matrix”.

Sabe aquela cena icônica em que o Neo finalmente para de ver as paredes, os agentes e o cenário, e começa a enxergar apenas o código verde escorrendo em cascata? É exatamente assim que me sinto agora ao olhar para qualquer aplicação de IA moderna.

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Durante meses, nós construímos cada engrenagem desse sistema. Do momento em que quebramos uma palavra em tokens até o instante em que calculamos o gradiente de erro de uma resposta complexa. Ao fazer isso, algo mudou irreversivelmente. Eu não vejo mais a “mágica”. A caixa preta foi aberta.

O que eu vejo agora são probabilidades, vetores densos e multiplicações de matrizes.

E acredite: perder a ilusão da mágica foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para a minha carreira de engenheiro de software.

🔍 O Fim da “Caixa Preta”: Por que suas aplicações falham?

Antes dessa jornada, quando o ChatGPT inventava um fato ou quando meu sistema de busca falhava, minha reação era de frustração e confusão. “Por que ele fez isso? Não faz sentido!”. Agora, a confusão deu lugar ao diagnóstico preciso. Entender os fundamentos me deu a capacidade de olhar para o erro e identificar a causa raiz.

1. A Anatomia da Alucinação(Vibe Coding e Prompt Engineering)

Aprendemos na Sessão 05 a verdade dura: um LLM é, em sua essência, uma máquina estatística treinada para prever a próxima palavra. Ele não tem compromisso com a verdade factual; ele tem compromisso com a verossimilhança estatística.

Quando você está fazendo um “Vibe Coding” e o modelo sugere uma importação de biblioteca que não existe, você não fica mais bravo. Você entende:

“Ah, estatisticamente, essa importação fazia todo sentido nesse contexto de código, por isso ele ‘alucinou’ esse nome”. O modelo não mentiu; ele apenas seguiu a probabilidade mais alta. Saber disso muda como você escreve seus prompts. Você para de pedir “seja criativo” e começa a impor restrições de contexto, porque você sabe que sem restrições, a estatística corre solta.

2. O Poder Oculto dos Embeddings (Custo, Performance e RAG)

Na Sessão 02, desmistificamos os Embeddings. Vimos que para o computador, “significado” nada mais é do que distância geométrica em um espaço vetorial.

Isso mudou a forma como projeto sistemas de RAG (Retrieval-Augmented Generation). Hoje, eu sei que a qualidade da resposta do meu agente não depende apenas do LLM caro que estou usando na ponta final (como o GPT-4), mas depende criticamente da qualidade do meu Embedding na busca. Se meus vetores não capturarem a nuance semântica, o LLM nunca receberá a informação correta. Escolher o modelo de embedding errado não é apenas um detalhe técnico; é uma decisão que impacta diretamente o preço e a latência da sua aplicação. Um vetor mal construído torna sua busca “burra” e sua infraestrutura cara.

3. Agentes Especializados e Instruction Tuning

Na Sessão 07, sofremos para alinhar o modelo. Vimos como é difícil fazer a máquina parar de apenas “completar texto” e começar a “obedecer ordens”.

Essa experiência é valiosa quando estamos criando Agentes Autônomos. Se o seu agente sai dos trilhos e começa a agir de forma imprevisível, a culpa provavelmente não é do modelo ser “burro”, mas da falta de exemplos robustos de Instruction Tuning ou Few-Shot Prompting. Você aprendeu na prática que o modelo precisa de exemplos negativos (o que não fazer) tanto quanto de exemplos positivos. A engenharia de prompt deixou de ser “tentativa e erro” e virou*“ajuste de pesos via contexto”*.

📊 A Verdade nos Números: O que os Gráficos nos Contam

Nossa jornada não foi feita apenas de conceitos abstratos. Nossos notebooks geraram dados reais, e esses dados contam a história do aprendizado da máquina. Vale a pena revisitar três momentos visuais que definiram nossa evolução:

1. O Momento “Eureca” da Classificação (Sessão 06)

Lembra quando transformamos o GPT em um classificador de SPAM? Ver o modelo pegar uma frase como “Ganhe dinheiro rápido e fácil!!!” e cravar a categoria SPAM (99%) foi a prova definitiva.

Não foi mágica. Nós vimos os pesos da Classification Head se ajustarem para reconhecer esse padrão.

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2. A Queda da Loss (Sessão 07)

Não há gráfico mais bonito para um cientista de dados ou engenheiro de ML do que uma curva de Loss descendo.

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Essa linha descendente não é apenas um gráfico; é a representação visual da “inteligência” emergindo. Cada degrau que a linha desce significa que o modelo entendeu um pouco mais sobre a estrutura da linguagem humana. O momento em que a linha se estabiliza é o momento em que a máquina encontrou o padrão ótimo. É poesia matemática.

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3. A Matriz de Confusão: A Hora da Verdade

E, claro, a nossa “prova real”. Nenhuma IA é perfeita, e a Matriz de Confusão nos ensinou a humildade.

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Ela nos mostrou exatamente onde o modelo tropeça. Ele confunde ironia com seriedade? Ele deixa passar falsos positivos? Aprender a ler esse gráfico é o que separa quem usa IA de quem avalia e melhora IA.

🔮 O Futuro: O que podemos fazer agora?

Nesta sessão extra, compilamos reflexões sobre os próximos passos. O campo de LLMs está explodindo e mudando a cada semana, mas os fundamentos que aprendemos aqui — Attention, Backpropagation, Embeddings, Tokenization — são a base imutável de tudo isso.

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Com essa base sólida, agora podemos nos aventurar em tópicos avançados sem medo:

Quantização: Como fazer esse modelo gigante caber na memória de um celular, reduzindo a precisão dos números sem perder a inteligência?

RAG Avançado: Como conectar esse “cérebro” a um banco de dados proprietário da empresa, garantindo que ele só responda com fatos verificados?

Agentes Multimodais: E se, além de tokens de texto, adicionarmos tokens de imagem? A arquitetura Transformer permite isso!

A base que construímos nos permite navegar por essas novidades sem nos perdermos em um hype.

❤️ Gratidão: O Alicerce do Open Source

Nenhum conhecimento é construído no vácuo. Se conseguimos criar um LLM do zero usando apenas um navegador e o Google Colab, foi porque gigantes nos permitiram subir em seus ombros.

Este projeto é, acima de tudo, um reconhecimento ao ecossistema Open Source e à comunidade científica que compartilha conhecimento abertamente.

Aos mantenedores do PyTorch, que tornaram a matemática complexa acessível através de código elegante.

Ao time do Google Colab, que democratizou o acesso às GPUs, permitindo que qualquer pessoa com internet treine uma rede neural.

E, principalmente, ao autor Sebastian Raschka, cujo livro foi o farol que guiou essa jornada, transformando teoria densa em prática acessível.

Escrevi uma carta aberta de agradecimento ao autor, detalhando como sua didática impactou meu aprendizado e o de todos que acompanharam essa série. Se você também aprendeu algo, recomendo a leitura como forma de celebrar o compartilhamento de conhecimento:

📄Leia a Carta ao Autor aqui

🏁 O Código

O repositório Fazendo um LLM do Zero não é apenas meu; é nosso.

Todos os notebooks, todos os infográficos traduzidos, todos os experimentos e códigos comentados estão disponíveis e abertos para sempre.

🔗 GitHub Oficial: vongrossi/fazendo-um-llm-do-zero

Sinta-se livre para experimentar e extender, clone o repositório

Quebre o modelo. Tente treiná-lo com outras fontes de dados. Erre. Conserte. Experimente durante a jornada eu tentei varias abordagens

Acho que melhor forma de prever o futuro da Inteligência Artificial é construí-lo você mesmo.

End of transmission. 📡👋

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